Neste domingo próximo estaremos celebrando o aniversário do passamento do Rebe de Lubavitch. O que foi na época, 14 anos atrás, um dia muito triste, considerado por muitos um desastre, hoje se tornou o dia em que os hassidim param pra se lembrarem do Rebe, interiorizar os seus ensinamentos e fazer uma introspecção sobre suas situações atuais e da comunidade.
Um pouco de sua história:
Nascido em Nikolayev na Ukrânia em 1902, o Rebe era o filho do rabino da cidade e desde cedo fora educado pra ser um dos maiores eruditos de todos os tempos. Presenciou a revolução comunista na União Soviética e teve que fugir destes e dos nazistas na sequência, migrando para os Estados Unidos no começo dos anos 40.
O Rebe que era descendente de uma linhagem nobre de rabinos chassídicos, conhecia de perto, por outro lado, o mundo secular. Estudou várias das matérias exatas nas universidades de Berlin e Sourbonne e mesmo na própria família ele tinha alguns parentes que não eram religiosos. Sholem Aleichem, um escritor definido pelo Rebe anterior como um epicurista que conhece o Criador e se rebela contra Ele, ele mesmo definiu o Rebe anterior como alguém que conhece o “mundo” e se rebela contra ele. É possível dizer que isso era ainda mais verdadeiro se tratando do Rebe.
O Rebe assumiu seu posto no lugar de seu sogro em 1950. A situação dos judeus naquela época pós Segunda Guerra estava de mal à pior. Mesmo que desde o princípio o Rebe já planejava a grande revolução na história do povo inteiro, nos primeiros anos o Rebe se fixou mais nos Estados Unidos. Num país liberal onde os judeus eram respeitados como cidadões, a emancipação estava custando os valores próprios dos judeus. Nesse cenário, O Rebe começou a dispertar nos judeus o orgulho em ser judeu através de suas investidas para educar os jovens, a primeira geração de judeus americanos.
Enquanto a influência do Rebe nos Estados Unidos se aprofundavam cada vez mais, ao mesmo tempo ele começou a enviar emissários para o resto do mundo, além de estabilizar uma comunidade chabad em Israel, que por sua vez também deixou uma importante marca na sociedade israelense. A imagem do religioso retrógado da velha Europa, foi trocada por um judaísmo vivo e dinâmico que veio pra preencher as necessidades de todos.
Assim, não há um país ou uma cidade no mundo, onde exista uma comunidade judaica minimamente estabilizada e numerosa onde não há um emissário do Rebe. É importante frisar aqui, que o movimento de aproximação entre religiosos e seculares, mesmo aqueles que não se identificam com o chabad, são influenciados diretamente pelo Rebe. Pois quando o Rebe começou, ele era o único.
De todas as qualidades do Rebe, como rabino erudito no judaísmo, um verdadeiro guia de seu povo, psicólogo pessoal de milhares, fundador de inúmeras instituições ao redor do mundo entre outras coisas, o que mais impressiona é como todas essas qualidades, algumas bem distintas, vinham todas juntas. É impossível separar as qualidades do Rebe uma das outras, pois de todos os lados e ângulos ele era o Rebe.
Acreditamos que a força do Rebe não era algo natural por completo. Acreditamos ainda, que seu passamento físico, não o separa de seus chassidim. É certo que hoje em dia de maneira mais espiritual, mas o seu legado continua muito vivo entre nós.
Nos resta orar para que com os méritos das boas resoluções a serem feitas neste 3 de Tamuz, um dia muito propício, aconteça em breve o maior desejo do Rebe em toda sua vida e o seu mais importante legado – que venha o Mashiach em breve e em nossos dias.
Acaba de acontecer um atentado terrorista atípico em Jerusalém. Um arabe que trabalhava nas obras na Rua Yafo, dirigiu com seu trator na contra-mão atingindo propositadalmente um ônibus que capotou e atropelando vários carros. Um policial presente no local do crime, atirou no motorista do trator que morreu na hora. Duas pessoas faleceram além do terrorista e 30 ficaram feridos.
A rua onde o atentado aconteceu é a principal rua do centro de Jerusalém. O choque nas pessoas está sendo enorme, inclusive neste que escreve, pois, não apenas é uma rua onde passo diariamente, como estava no local cinco minutos antes.
Pelo que parece, não foi um atentado programado por um grupo terrorista.
Veja um vídeo filmado nos momentos finais do ataque:
Aqui segue uma pequena entrevista publicada no ‘Entrevista Blogs’ com este que vos escreve. As perguntas foram mais voltadas para o lado do blog e menos para os conteúdos tratados no mesmo. Muitas das coisas escritas abaixo já é do conhecimento de vocês, mas é válido.
O link da entrevista no bom blog de Luciana Santos
1.Descrição do blog pelo autor Iossi Katri? R. Trato de assuntos que me interessam como um judeu brasileiro. Tento transmitir os valores, idéias e pensamentos judaicos de uma forma pessoal. Eu acho que cada religioso, mesmo dentro dos grupos religiosos, possuem uma crença pessoal, por isso escolhi o formato de blog. O meu blog serve pra passar meus pensamentos adiante, as vezes didaticamente, e sentir a reação dos leitores. Para a popularidade do blog passo algumas notícias um pouco pitorescas ou não, com algum comentário meu.
2.Como surgiu o blog Blog do Iossi - O Mundo Judaico no Século 21 e qual era objetivo? R. O judaísmo é uma religião milenar mas ao mesmo tempo dinâmica. O judaísmo hoje não é o mesmo do que havia no século passado e assim por diante. Por sinal, não intitulei o blog como o ‘judaísmo do ano 576’ (ano atual no calendário hebraico) para frisar que acredito que o milenar judaísmo tem muito a acrescentar em nossas vidas nestes tempos pós modernos. Talvez principalmente hoje em dia.
3.Onde esta localizado o local onde pratica sua fé? Se puder, explique um pouco sobre. R. A fé judaica deve ser praticada em todos os “locais” de nossa vida. Em casa na escola etc. Em termos de templos e sinagogas, como moro em Jerusalém tenho muita variedade pra escolher. As vezes freqüento uma sinagoga por causa da majestuosidade (The great synagogue of Jerusalem), outras por causa do rabino (sinagoga tsemach tsedek – Rabino Steinsaltz) e como não poderia faltar, o muro das lamentações.
4.Você faz algum trabalho de divulgação do blog? Quais os meios que utiliza e fale umpouco sobre eles. R. Fiz indexação no Google (que deve ser por onde vc me encontrou), e via orkut, onde tenho uma comunidade chamada ‘Judaísmo-Chabad Lubavitch’ onde debatemos assuntos atuais e a doutrina do movimento chabad lubavitch.
5.Falando em monetização e rentabilização de blogs, qual sua posição quanto a isso? E a qual a opinião dos judeus sobre isso? R. Não sei se os judeus tem uma opinião fixa quanto a isso. Pelo que imagino, os judeus sabem bem que todos precisam ter sustento… Se meu blog fosse uma espécie de observatório da comunidade judaico-brasileira, como em algum lugar dentro de mim gostaria que fosse, obviamente deveria ser independente, em todos os sentidos incluindo financeiramente, para ter a legitimidade moral de criticar. Na prática, eu não recebo dinheiro pelo blog e tenho essa independência. No entanto, por vários motivos, não faço criticas nominais, até porque a transmissão religiosa é mais importante que esse tipo de crítica e ambos não vão bem quando juntos.
6.Com que a freqüência que você escreve? Acredita na importância da qualidade ou quantidade de textos, ou dos dois? R. Não escrevo tanto como gostaria. Cerca de três a quatro post’s por semana. E não é a falta de tempo para teclar, e sim de estudar e estar afiado para preparar textos respeitáveis e, de certa forma, originais aos meus leitores. Meu blog passa longe de ser um diário das coisas que faço ou não faço. A freqüência dos post’s é importante, mas se a qualidade cair desproporcionalmente estaria pagando um preço caro demais por ela, trocando bons leitores por menos qualificados.
7.Você acompanha as estatísticas do blog? Pode dizer que textos ficaram mais populares? R. Infelizmente ainda não instalei o Google Analitics para analisar isso melhor. Mas recebo feedbacks via comentários (escassos) e-mail e amigos que lêem. Em geral, os melhores textos são os mais comentados.
8.Como você aborda temas complicados e complexos, para não dizer, polêmicos? Cite um exemplo de post do blog. R. Com um certo cuidado naturalmente. Tento ser elucidativo e se deixo espaço para o pensamento do leitor, não fiz meu blog pra confundir as pessoas. Uma vez escrevi um texto sobre a posição da mulher no judaísmo, um assunto meio delicado e que alguns religiosos fazem vista grossa. Expliquei minha posição claramente e a recepção pelos leitores foi ótima, mesmo pra aqueles que encaminhei pessoalmente. A propósito, escrevi o texto porque minha mãe me contou que estava precisando responder essa questão pra uma de suas alunas em Belo Horizonte. E eu mandei o texto por e-mail e pelo visto ela aceitou os argumentos.
9.Existe o preconceito para com os judeus? E dentro da Blogosfera existe este preconceito? R. Existe um pouco de preconceito pra quem escreve sobre judaísmo de uma maneira tão pessoal dentro do seio ortodoxo-judaico. Principalmente numa comunidade pequena e fechada como é no Brasil. Como não estou no Brasil, e já mostrei que não me importo, as pessoas tendem a respeitar e as vezes até ler, embora não inove muito pra eles. Gostaria muito que eu não fosse o único no gênero na língua portuguesa pra quebrar um pouco o gelo e pra ter que manter uma qualidade. Vamos ver.
10.Há necessidade de moderar os comentários? Costuma responder a todos os comentários; só aos que interessam ou a nenhum? R. São poucos. Tenho uma média de 50 a 60 entradas por dia. Destes muito poucos comentam…
11.Seus textos são direcionados a todos? R. Acredito que sim. Embora o leitor do meu blog tem que ter um mínimo conhecimento de judaísmo, mínimo pra entender tudo. Caso não fosse assim, os leitores que eu já tenho ficariam muito entediados… Mas com certeza, há coisas que servem pra todos.
Quantos spam-judaicos vocês recebem por semana? Hoje recebi um email com uma propaganda de uma colônia de férias infantil. Ao perguntar por que eles mandam email de maneira indiscriminada, fui respondido que embora eu passei da idade de participar de colônias e não ser um pai de família, poderia usar meus polos de influência para promover a tal colônia. Tá certo.
No entanto, isso me lembrou a grande quantidade de emails que recebemos pelo simples fato de sermos judeus. O que por um lado é um trabalho abnegado e importante (por exemplo, nos EUA os emails judaicos vem, sem justa causa, incomodando muito os partidários de Barack Obama à eleição), por outro, mostra uma certa falta de maturidade desta mídia que invade o espaço de vários destinatários que não tem nada a ver com apropaganda. Decidi fazer uma listinha, com vários ítens vindo direto da ‘lixeira’ do meu email (a expressão é forte, mas as vezes eu dou uma olhada nesses emails). Aqui vão eles:
Categoria *Newsletter:
Jornal ALEF – Enviado algumas vezes por semana. Não é ruim, mas se enfoca apenasna comunidade carioca.
PLETZ.com -Newsletter típica: notícias de Israel, Holocausto e alguma obra de arte com motivos judaicos recebem seus devidos destaque.
NEWSLETTER DA GLORINHA COHEN – Temas ecléticos embora tratados superficiamente. Lembra a antiga revista ‘O Hebreu’.
MAKOM – Pelo visto é a newsletter da congregação Monte Sinai. Acabei de abrir pela primeira vez! (Embora recebi também um email da Monte Sinai sem referência ao Makom – estranho.)
Espaço K – “Participe da gincana e conocrra a um Iphone!”, é o título do último email que recebi.
Aish Brasil – Um dos bons exemplos da indiscriminância dos spams. Não sei se eu seria bem vindo por lá. Caso não for, poderei dizer que recebi seguidos convites pelo email.
NR Kasher: A estimada Nosso Recanto tem sua versão Kasher.
Categoria didática:
Chassidismo:Quem me dera eu tivesse tempo pra ler a cada semana os brilhantes emails preparados por Moishe Kleinberg. O problema é que o chassidismo é dividido em vários email’s e fica um tanto pesado.
TORAH Mail: Talvez o mais popular na área. Inclusive os emails enviados em determinada época viraram um livro.
BDK Kasher: Importante organização, contribuindo muito com a alimentação Kasher no Brasil.
Engana-se quem pensa que a religião aprova toda comida desde que ela for Kasher. Na verdade, a relação do religioso com a comida, de maneira geral, tende a ser ambígua e intensa.
A comida pode servir como uma maneira de interagir com toda a existência, os reinos animal, vegetal e inanimado, elevando-os quando as energias obtidas pela alimentação são usadas para viver uma vida de valores e bons costumes. Justamente por isso, os momentos da alimentação, reconstituem em certos aspectos, os sacrifícios ofertados no Templo Sagrado.
O alimento consegue dar uma sobrevida a pessoa, explica a chassidut, pela centelha divina presente em cada substância do mundo, que de certa maneira, está esperando ser elevada pelo ser humano e voltar a sua fonte na divindade. As benções recitadas antes e depois da alimentação servem como uma chave para a elevação, nos lembrando do objetivo deste importante ato, e, outrossim, fazendo que as centelhas se elevem de fato.
Por outro lado, sabemos que as pessoas podem acabar se levando pelos deleites da comida que materializam muito a pessoa, acostumando-se a viver com prazeres instantâneos, além do fator petrificante que a comida em excesso sabe exercer. Muitas vezes, o prazer da comida é uma porta para outros prazeres que desenbocam em pecados de verdade. Por isso, de acordo com o Tania, as comidas que não são ingeridas com objetivos de alimentação, são consideradas do mundo das kelipot, do mundo do mal.
Esta ambiguidade é bem definida pelo Talmud: “A hora da alimentação é uma hora de guerra”. Os instintos bom e mal tentam usar do mesmo ato e no mesmo instante, um ponto para o seu lado. As vezes essa guerra é fria, cada um tentando ser dasepercebido, ou pode ser acirrada com cada lado tentando se impor à força. Existem pessoas que fazem este “trabalho da alimentação”.
Tudo o que foi escrito até aqui é muito conhecido, mesmo que não praticado, para alguém que vive em um grande centro judaico em Israel, Estados Unidos e até em Buenos Aires. No Brasil, o mercado Kasher ainda não está suficientemente desenvolvido, mesmo em São Paulo, o que dificulta muito encarar a comida como uma faca de dois gumes como é proposto pela religião. Se está comendo Kasher, muito obrigado! E uma vez que se consegue comer uma comida de qualidade, temos é mais que aproveitar.
Será que deveria ser assim? Enquanto o objetivo da “dieta kasher” é limitar e elevar a pessoa em sua relação com a comida, acaba ficando que, justamente por seguir esta dieta, as pessoas ficam mais materializadas ainda. É sem dúvida algo para se pensar.
Admito que o que motivou a escrever este texto foi o evento do Mc Donald’s Kasher realizado em São Paulo onde centenas ou milhares de pessoas ficaram na longa fila para ter o seu hamburger. Talvez para alguns, pela raridade, comer Kasher é considerado algo religioso. Convenhamos no entanto, que qualquer pessoa com um mínimo de sensitividade sabe perceber que comer no Mc Donald’s não é uma experiência recheada de valores espirituais.
Tenho a impressão de que um dia de Mc Donald’s Kasher na Faria Lima, incentiva mais as pessoas a comerem kasher que mil seminários e blogues a respeito. Por isso, não me entendam mal, não estou criticando o próprio evento. Mas, em nome da saúde da religão judaica brasileira, manifesto aqui uma voz em outra direção da convencional.
Pois, mesmo se o judaísmo estiver em má fase, ou numa versão um tanto pobre de espírito, ele, o autêntico, sempre saberá se diagnosticar com precisão. Pelo menos isso.
*corrigido
A fila para o Mc Donald’s. Repare o irreverente Adam Guz no centro da foto
Lemos ontém na Torah na porção de Shelach sobre os espiões enviados a Terra Prometida para ver de onde seria mais fácil conquistá-la e quais seriam as dificuldades da conquista. Eles voltaram dizendo que prefereriam ficar no deserto.
A chassidut explica que, na verdade, os espiões não queriam ter uma vida religiosa ligada as ações práticas e ao mundo terreno. Receber o maná dos céus e ficar o resto do dia estudando e refletindo era melhor pra eles. Não obstante, o plano divino para os judeus era justamente o contrário. Pois, como sabemos, no judaísmo, “a ação é o principal”.
Daí vem a continuação na próxima porção, Korach, um dos líderes do povo queria fazer uma revolução contra Moshe dizendo: “Toda a congregação é sagrada e por que vocês (Moshe e Aharon) se elevarão ante o resto do povo?” Uma vez que aprendemos que a ação é o principal, então, entre as mitsvot dos grandes justos e do resto do povo não há nenhuma diferença.
Como leremos na próxima semana, De’us não recebeu o argumento de Korach e de seus seguidores. Pois, por mais que apreciamos as ações, De’us quer “ações iluminadas”, com sentimentos e intenções.
Sobre este tema, republico abaixo um texto escrito há um tempo atrás chamado:
‘O Beijo chassídico’
No livro Haiom Iom - Traduzido pela Editora Beit Lubavitch com o título de 'Dia a Dia encontramos uma anedota que pode passar desapercebida, mas na minha opinião contém um dos grandes fundamentos da doutrina chabad.
"Uma vez o quinto Rebe da dinastia chabad - o Rashab que era o pai do sogro e antecessor do Rebe - estava observando seu filho único cochilando no meio de seu estudo. A pureza e a luminosidade que o ainda futuro Rebe irradiava extasiaram o Rebe Rashab que ficou com uma forte vontade de lhe dar um beijo. Mas decidiu não lhe beijar, se sentou e escreveu um maamar - discursso chassídico em homenagem a seu filho. Quando seu filho se despertou, lhe mostrou o que escrevera e acrecentou, este é o beijo chassídico."
Todo jovem iniciante numa yeshivá Chabad conhece esta passagem. Pessoalmente, a conheço à muito tempo, mas nunca ouvi uma explicação ou interpretação sobre esta história. Que se nos foi contada, ainda mais no Haiom iom, deve ter algum significado por trás. Proponho a minha leitura sobre esta anedota.
Para entendermos, introduzo alguns pontos. Estar extasiado significa que naquele momento, estamos em certo aspecto fora de nós mesmos. Em termos práticos, neste momento, focado no que nos maravilha paramos de pensar ou se preucupar com coisas imortantes de nossas vidas, que ao mesmo tempo podem ser triviais, como fome e dinheiro etc. Podemos nos extasiar com uma pessoa, isto é nos apaixonar, como numa obra de arte ou assistindo uma peça de teatro ou num filme. Em todas estas, fora de nós mesmos.
Assim entendemos porque muitas pessoas no decorrer ou no final de um filme beijam seus cônjuges. A pessoa já está meio fora de si assistindo o filme, aproveita o gancho para se entregar à paixão.
Este beijo, por exemplo, materializa e oficializa esta saída do 'eu' convencional. As ações decorrentes de sentimentos, podem ser consideradas o àpice da experiência sentimental. Por outro lado, por ser o àpice, fazem o término do sentimento. Este sentimento será a partir de agora um mero objeto de nostalgia.
Esse processo é muito normal, como qualquer amor seguido de sexo.
A diferença no comportamento do Rebe, é que ao invés de optar por uma ação, digamos pura, bruta e essencialmente intrísceca como um beijo, ele prefere traduzir este sentimento num discurso chassídico. Discurso chassídico, que para escrevê-lo é necessário usar de toda sua sabedoria, raciocínio e conhecimento. Mostrando que é possível pensar logicamente estando apaixonado. É este o beijo que o Rebe oferece a seu filho. Sendo, que o filho ao acordar, diferentemente caso tivesse recbido um beijo material, ele poderá receber o beijo.
Isso na verdade, é o que a doutrina Chabad prega no próprio nome. Usar o intelecto para amar, ou amando. E tentando ser fiél a ambos, tanto é que um leitor desavisado lerá aquele discurso chassídico e se impressionará pela lógica e inteligência impregnada, poderá não perceber o fundo amoroso a De-us e a ao filho que motivaram e deram o tom ao discursso.Não menos importante notarmos, a tendência da doutrina, de destacar os significados das ações. Em outras palavras, colocar a ênfase nas palavras do cartão que acompanha as flores e menos nas flores.
Este é o beijo chassídico. E é também o estudo de Torá chassídico, o ascendimento das velas de shabat da maneira chassídica e assim por diante em todas as facetas de nossa vida. Da pessoa ao próximo e das pessoas à De-us.
Israel acaba de fazer hoje um acordo de “calmaria” com o Hamas. Um acordo que não terá vida longa, mesmo de acordo com o governo israelense, julgando o histórico do Hamas e da tendência das declarações de seus líderes nestes dias mesmo.
É claro que o motivo pela qual o Hamas está interessado em mânter uma estabilidade na região é óbvio: se fortalecer e se armar para uma nova rodada de combates. Há algumas semanas quando a chuva de foguetes Qasam não cessava, o ministro da defesa Ehud Barak insistia a cada dia que a entrada do exército à Aza é cada vem mais eminente e mais próxima.
Um dos moradores de Sderot, cidade fronteirça onde os foguetes costumam ser lançados, definiu bem o quão próximo estava: “É como se aproximar ao horizonte, quanto mais próximo – mais longe”.
Se isso é verdade com relação a entrada dos soldados para a faixa de Gaza, o que diremos sobre a paz?
Algumas semanas atrás tratamos do Pessach Sheni , o segundo e mini Pessach, fixado para o dia 14 de Iyar. Temos agora mais uma oportunidade para discutir o assunto, já que pela ordem das proções semanais, lemos ontém na Torah o relato do pedido de alguns dos judeus para ter uma segunda oportunidade de fazer o sacrifício Pascal, estes sendo atentdidos e o segundo Pessach instituído para a eternidade.
Além de aprender o valor do perdão e da segunda chance, como fizemos na época, podemos tirar do Pessach Sheni um aprendizado ainda mais profundo para a nossa vida. A seguir.
Sem desmerecer os sentimentos e as intenções, o judaísmo reconhece e eleva à importância das ações - “o principal é o ato”. Mesmo que para comprovar os elementos abstratos ou para trazê-los a prática diária de maneira bem íntima, o judaísmo tem um vasto sistema de pequenas ações, formando até um código de conduta a ser observado pelos observantes. Desculpem me a redundância, mas é sobre isso que este texto quer discutir.
Estamos acostumados a dividir os judeus em dois grupos: religiosos e laicos. Os religiosos cumprem e observam os mandamentos e os costumes; os laicos não são religiosos. O segundo Pessach, que na verdade pode ser considerado uma saga daqueles que tiveram a iniciativa de ter uma segunda chance, nos mostra que a vida religiosa não é uma matéria exata. Se não foi possível desta vez, será na próxima. Pois, entre o preto e o branco, existem várias tonalidades. Muitos caminhos percorrem entre o Norte e o Sul. Direita e esquerda não são os únicos lados.
A divisão entre religiosos e laicos, seria verdadiera caso estivéssemos tratando de anjos, robôs ou qualquer coisa que pode ser julgada pela marca. Rotulando pessoas baseando-nos apenas em suas maneira de vestir e afins, ignoramos todo o mundo interior do indivíduo. Pasmem ou não, é possível que a verdadeira condição religiosa de uma pessoa seja exatamente oposta ao que ela aparenta ser. De ambos os lados, existem alguns que são apenas “religiosos” e outros “não religiosos”. O livre-arbítrio, uma das bases da religião, não rotula ninguém.
Entre nós, o termo ‘judeu-laico’ carrega em si uma contradição. Pois, em última análise, qual é o significado do ser judeu senão relligioso? Acrecento que o Rebe de Lubavitch, o último ícone que conseguiu unir todas as alas no judaísmo, nunca usou a palavra ‘laico’ para definir um judeu, qualquer um que fosse.
Os sábios talmudistas, que passavam seus dias legsilando a parte prática do judaísmo, uma vez declararam: “um israelita que pecou ainda é israelita”. Deles e do Pessach Sheni aprendemos que devemos respeitar o tão humano dinamismo religioso de cada um acreditando que, no final, não interessa por qual direção estamos vindo, ao procurar, chegaremos no caminho de Deus.
A palavra divisão é interpretada em geral como sendo fruto de duas visões, ‘di’ significando dois em latino. Mas, quando a divisão é radical e destrutiva, com uma pequena correção semântica, ela vem do grego ‘dis’, que significa falta, a falta de uma visão mais ampla.
Não poderíamos
deixar de repercutir, ao menos à nossa maneira, o maior fenômeno da política
mundial – Barack Obama, com um vídeo de Mendy Peilin! Se você já assistiu
o vídeo de Mendy Peilin postado aqui há alguns meses, não se preucupe, não é
dejavu...
O rabino de uma comunidade judia dos Estados Unidos, perdeu a consciência repentinamente e foi urgentemente hospitalizado. Dr. Goldman, que também pertencia a sua congregação, foi o responsável ematender-lo; mas lamentavelmente, a situação do rabino era muito crítica.Depois de fazer todo o possível para salvar-lo, Dr. Goldman tristemente concluiu que o rabino já não tinha mais esperanças de viver, e por isso pediu a seus alunos que juntem um minyan (dez homensjudeus) para escutar a confissão final do rabino. Os alunos passaram pelo hospital para chamar todos os membros da comunidade que encontrassem, maslamentavelmente, junto com o Dr. Goldman só eram nove.
Sem dar se por vencido, Dr. Goldman revisou a lista dos internados no hospital, e descobriu que havia um paciente judeu no ultimo andar, só que estava de cama, conectado a tubos e máquinas. De todo modo, Dr. Goldman pediu uma permissão especial para poder mover este paciente com sua cama e todos os aparelhos, até o quarto do rabino e assim completar o minyan. Quando aquele paciente viu que eram deis judeus reunidos começou a chorar...
Lhes explicou que justo esse dia é a data do falecimento de seu pai e pensou que lhe seria impossível disser o "kadish". Agora que milagrosamente do Céu o ajudaram reunir um minyan em pleno hospital, lhes rogou que lhe permitissem dizer kadish por seu pai antes da confissão do rabino. Todos os presentes aceitaram e com suma devoção escutaram o Kadish que lentamente o paciente pronunciou com lagrimas.
Ao terminar de responder o kadish mais emotivo de suas vidas, todos se surpreenderam de como o pulso do rabino começou a restabelecer-se e pouco a pouco ele foi recuperando forças. Depois de uma semana, não só que o rabino voltou à sua casa totalmente curado, senão que também apareceu um doador de fígado para o paciente que disse o kadish; que lhe foi transplantado e lhe salvou a vida. Nos não sabemos quanto influência lá encima cada brachá que falamos e cada Amén que respondemos!! Tomara que podamos aproveitar esta força e usar lá com saúde no resto de nossas vidas.... AMEN!
*O blog não se responsabiliza pela veracidade deste texto.
Em tempos quando todos concordam que não ter tempo é chique e exclusivo, um olhar para esta questão por outro lado vem a calhar. Quem sabe poderemos chegar em outra conclusão.
Conhecemos aquele executivo que invariavelmente acorda cedo, não chega ao trabalho sem perder algumas horas por semana no trânsito - às vezes aproveitadas pelo celular, chega em casa no fim do dia com a tarefa de mânter o netoworking paralelo ao trabalho. E suas atividades so estão começando. Em sua cabeça ele não tem tempo livre.
Quando na verdade: Haja tempo livre para tantas tarefa intensas!
Não é todo mundo que tem todo esse tempo. Aqueles que preferem ser os donos de sua própria vida e de seu tempo, não tem medo de ficar a sós e às vezes até gostam, certamente, possuem menos tempo disponível para ficarem ocupados e preucupados.Talvez, por isso, são menos chiques, afinal tem menos dinheiro.
Porque pra eles, o tempo vale mais que o dinheiro.
Uma bolsa feminina que fielmente acompanha a mulher por onde ela vá e, muitas, vezes, é apoiada em lugares como banheiros públicos e afins, tende a trazer com ela várias bactérias. Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com mais de vinte mulheres, ficou escancarado como o singelo ato de deixar uma bolsa sobre a mesa da cozinha pode ser perigoso.
Em uma reportagem na TV, algumas das portadoras de bolsas testadas choraram ao perceber que elas não são tão higiênicas como pensavam ser.
Pensando mais profundamente, somos, em geral, muito vulneráveis para com o mundo exterior. E não estou falando dos perigos que nós conseguimos identificar. Por determinado aspecto, por não serem percebidos, algumas pequenas e ínfimas coisas na nossa vida podem ser mais danosas que os famosos males.
Quantas vezes não ouvimos um sentimento de ódio, falta de consideração ou uma simples ironia maldosa e não importamos nem por um segundo. Ao invés de compaixão, o pedinte desperta um desconforto irritante. São coisas que entram num ouvido e saem pelo outro, suas imagens são substituídas rapidamente por outras, não são nada, nada mesmo. Mas no fim do dia, em última instância, todas essas coisinhas juntas deixam sua impressão e sua marca.
Com que se parece um ser humano com belas ações que não pratica a introspecção? Como uma bolsa Louis Vitton cheia de bactérias.
Depois de nos preparar por 49 dias na contagem do Omer, finalmente é o dia de receber a Torah. Historicamente, o dia 6 de Sivan é o dia em que os 10 mandamentos foram ordenados no monte Sinai. Este dia foi escolhido para que os judeus recebssem a Torah, novamente, a cada ano.
O Shavuot é também chamado a festa da revelação, em alusão ao grande acontecimento que aconteceu no monte Sinai quando “uma escrava viu mais que o profeta Ezequiel”. Foi ali que o compromisso entre De’us e os judeus foi firmado. Ressaltando, como ensina Maimônides, com o testemunho de todos os judeus da época, para que estes transmitem aos seus descendentes, sem que ninguém possa negar aquele fato.
Analisando o teor dos dez mandamentos, percebemos que eles parecem ser um tanto simples para toda a preparação que os judeus fizeram nos 49 dias desde a saída do Egito até chegar no que era o clímax de toda uma sequência de grandes acontecimentos. Eu sou teu De’us; Não praticai idolatria, ...; Não matarás e não roubarás são máximas que qualquer civilização normal consegue concluir sem muitos esforços. Qual seria então, a necessidade de De’us estar ordenando?
A base da resposta está no compromisso. O De’us criador do mundo quer que o mundo seja regido com bondade e justiça. Para realmete lograr tals feitos,sabemos que é necessário ter um compromisso que vem além de nossa existência material. Se nossos interesses em nossa vida não ultrapassarem a nossa existência, nada pode nos limitar,na hora dos “vamos ver”. E se cada um agir como quiser, quando “realmente precisa” o mundo fica um caos.
Pois por isso, nos é dado, diretamente de De’us, mandamentos como não roubarás. Ao roubar, por exemplo, estamos infringindo não apenas alguma máxima imposta por nosso intelecto ou pela sociedade, mas sim todo o objetivo do mundo e de seu criador, além de prejudicar toda a sociedade e, no fim de contas, o mundo inteiro. Uma pessoa influenciando o mundo inteiro? Sim, como, no outro lado da moeda, os terroristas do 11 de Setembro. Pra coisas positivas, muito mais.
Os Rebes de Chabad costumavam desejar na festa do Shavuot que a Torah seja recebida com alegria e internamente. Pois a Torah não foi dada apenas para evitar que a pessoa roube e mate, De’us nos livre, mas sim para refinar toda a existência da pessoa, incluindo seu intelecto, emoções e ações.
FALSO RABINO PROCURADO ENTREGOU-SE À POLÍCIA BRASILEIRA
O auto-proclamado “rabino” Elior Chen, procurado pela policia israelense por supostos aconselhamentos a seguidores para que maltratassem seus filhos, entregou-se a policia brasileira.
Chen será extraditado para Israel, após estar foragido no Brasil, possivelmente em São Paulo.
Sua esposa e os filhos foram embarcados na semana passada para a Bélgica.
A polícia de Israel pediu o apoio da Interpol Internacional para ajuda na captura.
Em Israel Chen é suspeito de liderar uma “seita” de fanáticos que, supostamente acatando seus conselhos, agrediram filhos menores de forma violenta e desumana.
A mãe de uma criança de 3 anos, agredida até entrar em coma, foi presa em Israel por abuso e agressão. A criança, se sobreviver, ficará em estado vegetativo. A agressora declarou ter agido sob inspiração do falso rabino.
Repudiamos a todos que, eventualmente, tenham prestado apoio não profissional, no Brasil, ao procurado pelas autoridades de Israel.
Nota do blog: De acordo com as notícias veículadas em Israel, Chen jamais se entregou e foi preso pela polícia. Seria muito bom se aqueles que o apoiaram no bairro do Bom Retiro em São Paulo viessem a público para esclarecer que foram vítimas de um mal-entendido ou de um engano.
Caso não foram, é hora de sair de cena. Lembrando que estes são apoiados financeiramente por alguns que fazem enormes esforços para difundir o judaísmo no Brasil, e além de não aproximar os verdadeiros judeus, aceitam ter em seu seio pessoas sinistras como estas.
Neste domingo último, Israel perdeu uma de suas figuras mais controversas nos últimos tempos, Tomy Lapid z"l. Aos 77 anos, Lapid faleceu de câncer num hospital em Tel Aviv onde se internou na semana passada.
Tomi Lapid tinha a línigua afiada
Nascido na Iogoslávia, sobrevivente do Holocausto, o jovem Tomy (ou Yossef) migrou com sua mãe em 1948 para a recém fundada Israel. Após servir no exército por dois anos logo que chegou em Israel, Lapid se formou em direito pela Universidade de Tel Aviv. Mas, embora no decorrer de sua versátil carreira foi oMinistro da Justiça por dois anos no governo de Ariel Sharon, Lapid, em termos profissionais, será sempre lembrado por ter sido um brilhante e influente jornalista.
Trabalhou por muitos anos no jornal Maariv, marcou época no rádio e fundou a TV a cabo em Israel. Participou e dirigiu muitas instituições, como o memorial do Holocausto Yad Vashem, cargo que ocupou até seu último dia.
Enquanto o talento de Lapid sempre foi considerado uma unânimidade entre os israelenses, suas posições ideológicas foram, por muitos, completamente desaprovadas. Em 1999, Lapid abandonou todos os cargos que possuia na imprensa e entrou na política para presidir um novo partido, o Shinui, que significa mudança. Sem uma plataforma clara no que tange a política externa, o Shinui obteve uma expressiva votação em 2002, erguendo a bandeira contra a “intolerância religiosa”.
Não somente para chamar a atenção da sociedade contra os ortodoxos em Israel, por, em sua maioria, não participarem do exército e de alguns que evitam trabalhar por motivos (pseudo) religiosos, Lapid se aproveitava de qualquer oportunidade para desprezar valores, crenças e até símbolos nacionais, desde que estes viessem do Judaísmo. A versão de Israel por Lapid era de um país laico, democrático, seguidor fíel das leis humanas e, querendo ou não, que renega suas origens.
No fim de contas, Lapid se reitrou da vida política sem conseguir implantar suas reformas em Israel. Sinal disso, que por força da lei, e ele sabia disso antes de falecer, Lapid foi enterrado de acordo com o rito religioso. Ao invés do Kadish, foram tocadas, à seu pedido, algumas de suas canções prediletas.
Jamais foi preciso esperar o passamento de Tomy Lapid para entender suas posições. Como alguém que passou pelo Holocausto e da maneira em que passou, acredito eu, por trás de todo seu talento na articulação de suas idéias, morava um trauma que nunca se curou. Tomy foi, apenas, fiél a seus pensamentos e incisivo na hora de externá-los.